O transplante de medula óssea (TMO) cura a talassemia?

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Existem algumas restrições para a indicação do procedimento

O transplante de medula óssea (TMO), também conhecido por transplante de células-tronco hematopoiéticas, é um procedimento realizado para tratar e curar diversas doenças do sangue, especialmente os cânceres hematológicos. Mas será que o TMO pode curar a talassemia?

O objetivo central deste tratamento é substituir a medula doente por uma saudável. Na talassemia não é diferente. Mas, para que aconteça essa substituição, será necessário ter um doador 100% compatível e passar por um tratamento com quimioterapia.

É por isso que existem algumas restrições para a indicação do TMO.

Requisitos para o transplante na talassemia

Dr. Nelson Hamerschlak, membro do Comitê Médico da Abrasta e do Einstein Hospital Israelita, conta que a idade é um dos requisitos para a indicação do tratamento.

“Os pacientes devem ter até, no máximo, 16 anos, sem aumento significativo do fígado, sem fibrose e com tratamento de quelação adequado”, afirma.

E, como falado acima, a outra exigência é que o paciente tenha um doador HLA 100% compatível.

Requisitos na doação de medula para uma pessoa com talassemia

Nesse tipo de anemia hereditária, não é possível fazer um transplante autólogo, ou seja, utilizar as próprias células da pessoa com talassemia. Isso porque a origem da doença é genética, então para a “correção” e produção saudável das hemoglobinas, é preciso utilizar células diferentes.

O doador de medula óssea do paciente de talassemia deve ser um familiar com compatibilidade. As chances de se achar um doador totalmente compatível são de 25% entre irmãos.

Como funciona o TMO?

Com a indicação para o transplante e um doador compatível, a pessoa que vai receber a medula se prepara para o TMO por meio da quimioterapia de condicionamento. O objetivo é destruir as células doentes produzidas na medula óssea.

Em seguida, a pessoa com talassemia irá receber a medula de seu doador. O procedimento se assemelha a uma transfusão de sangue e não há necessidade de sedação.

Após o transplante, é preciso esperar que a medula óssea nova volte a produzir as células do sangue, ou seja, a pega da medula.

“Em casos muitos raros, pode ter rejeição da medula e, quando isso acontece, a talassemia volta”, salienta o Dr. Nelson.

Mas afinal, o TMO cura a talassemia

Após o sucesso no TMO, o paciente não terá mais talassemia. “A medula óssea do doador é que passa a fabricar os glóbulos vermelhos normais ou mesmo apenas com o traço da talassemia”, informa o hematologista.

No Brasil, quando há indicação, o TMO pode ser realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou pelos planos de saúde. Mas, segundo o Dr. Nelson, pode haver dificuldades para encontrar leitos e equipes especializadas em transplantes para talassemia.

É preciso dizer que, além do operacional, um TMO pode deixar o paciente exposto a alguns riscos, como a doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH). Ela acontece quando a medula do doador estranha as células do corpo do paciente. Com isso, a nova medula passa a atacar as células do paciente. A DECH é uma das principais complicações pós-TMO.

Outra doença comum no período é o citomegalovírus (CMV), que pertence à mesma família dos vírus da heopes, herpes zóster e catapora. Esse tipo de vírus consegue ficar “adormecido” no organismo e voltar à atividade quando o sistema imunológico está enfraquecido.

Em pessoas saudáveis, a infecção pode causar alguns sintomas controláveis, entretanto para pacientes imunossuprimidos, pode ser fatal.

 

Fonte: Comunicação Abrasta

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