Transplante de medula óssea – Imagem ilustrativa

COMO É FEITO – PRÉ E PÓS TMO

Transplante alogênico

Conheça todos os passos do pré e pós transplante de medula óssea.

Para o doador

A coleta pode ser feita de duas maneiras:

1 – As células-tronco serão retiradas por uma agulha, por meio de punção no osso da bacia. O procedimento dura em média 60 minutos, e é feito sob anestesia. O doador precisará ficar em observação após o término. Uma avaliação pré-operatória verifica as condições clínicas e cardiovasculares, visando a orientar a equipe anestésica envolvida no procedimento operatório.

Os sintomas que podem ocorrer após a doação são: dor local, astenia (fraqueza temporária), dor de cabeça. Em geral são passageiros e controlados com medicamentos simples, como analgésicos.

2 – As células-tronco são retiradas pela veia. Aqui, o doador recebe um remédio por aproximadamente 5 dias, para aumentar a produção das células-tronco e fazer com que elas passem a circular no sangue. Depois, por meio da veia do doador, o sangue passará por uma máquina de centrifugação e filtração que retira as células-tronco. Este processo de coleta dura de 4 a 6 horas e é similar a uma doação de sangue.

3 – O sangue presente no cordão umbilical (cerca de 70 – 100ml) é drenado para uma bolsa de coleta. Em seguida, no laboratório, as células-tronco são separadas e preparadas para o congelamento e/ou uso.

Para o paciente

Condicionamento – É um processo de preparo para o recebimento da medula óssea do doador. O paciente será submetido a um regime de quimioterapia em altas doses com o intuito de destruir a medula óssea do próprio paciente e de reduzir a imunidade para que seja evitada a rejeição.

Serão utilizados medicamentos extremamente potentes, com o objetivo de destruir, controlar ou inibir o crescimento das células doentes da talassemia.

O uso de cateteres geralmente é necessário para a administração destes medicamentos.

Alguns efeitos colaterais podem acontecer durante o tratamento com os quimioterápicos, como enjoo e vômito, diarreia, obstipação (intestino preso), alteração no paladar, boca seca, feridas na boca e dificuldade para engolir. Mas saiba que existem alternativas para amenizá-los. A nutrição é uma importante aliada na melhora de cada um deles.

A queda de cabelo também costuma acontecer, pois a quimioterapia atinge as células malignas e também as saudáveis, em especial as que se multiplicam com mais rapidez, como os folículos pilosos, responsáveis pelo crescimento dos cabelos. Nessa fase, busque por alternativas como lenços, bonés, chapéus ou perucas, caso se sinta mais à vontade.

A imunidade baixa, comum a esta fase do tratamento, pode facilitar o surgimento das infecções. A febre é o aviso de que um processo infeccioso está começando, então não deixe de procurar o médico. Se for necessário, medicamentos serão administrados. Mas com pequenos cuidados, como lavar as mãos com frequência, é possível evitar que essas temidas infecções apareçam.

Transplante – Em seguida, as células-tronco doadas serão infundidas no paciente, com a finalidade de reconstituir a fabricação das células saudáveis. O procedimento se parece com uma “transfusão de sangue”. No caso da medula previamente congelada, utiliza-se um líquido conservante na bolsinha, que também pode causar alguns desconfortos, como náusea, vômitos, sensação de calor e formigamento. Mas o paciente será monitorado a todo momento.

Normalmente, o paciente permanece internado por mais de 15 dias, para o acompanhamento da evolução no tratamento.

Pós-Transplante – O transplante não acaba quando termina. Esta fase é conhecida como aplasia medular, devido à queda do número de todas as células do sangue. Nos 100 primeiros dias após o TMO, o paciente fica mais predisposto a infecções (neutropenia) e passa a receber inúmeros antibióticos, além de medicamentos que estimulam a produção dos glóbulos brancos (que combatem as bactérias e vírus). Neste período, se perceber o surgimento de febre, calafrios, mudança no aspecto das fezes e da urina, enjoos, dores e sangramentos, entre em contato com o médico.

Para prevenir estes problemas:

  • Evite contato com animais, plantas e pessoas com doenças contagiosas, como catapora, sarampo e até mesmo a gripe
  • Também evite contato com piscinas, lagoas e praias, pois algumas infecções podem ser transmitidas por germes encontrados nestes locais
  • Reforce os cuidados com a higiene corporal
  • Use máscara em lugares públicos, muito movimentados
  • Limite o número e frequência de visitas
  • Lave sempre as mãos
  • Evite lâminas para se barbear ou depilar
  • Evite retirar cutículas
  • Escove delicadamente os dentes

Enxerto x hospedeiro

Cerca 50% dos pacientes que realizam o transplante alogênico apresentam essa doença cerca de três meses após o procedimento. Ela acontece porque a nova medula óssea, provinda do doador, passa a reconhecer os órgãos do paciente como estranhos e, automaticamente, iniciam um ataque contra eles. São dois os tipos:

Aguda – ocorre geralmente nos primeiros três meses após o procedimento. Pele, intestino e fígado são os órgãos mais frequentemente acometidos. Pode causar:

  • Manchas vermelhas nas mãos, pés e rosto
  • Manchas espalhadas pelo corpo
  • Erupções na pele
  • Febre
  • Diarreia
  • Dores abdominais
  • Icterícia (coloração amarelada da pele e mucosas devido alterações no fígado)

Crônica– em geral ocorre após 3-4 meses do transplante e pode durar anos. Os principais órgãos acometidos são pele, mucosas, articulações e pulmão. Seus principais sintomas são:

  • Lesões nestes órgãos, causando até falta de ar
  • Enrijecimento e escurecimento da pele
  • Coceira pelo corpo
  • Boca seca e sensível
  • Olhos secos
  • Secura vaginal

Para amenizá-los:

  • Não se exponha ao Sol nesta fase, pois a pele estará muito sensível
  • Use chapéu e sombrinha quando for sair de casa, além, é claro, de utilizar filtro solar (em gel e livre de óleo)
  • Opte por sabonete hidratante sem perfume
  • Cremes hidratantes sem álcool também ajudam
  • Evite o uso de maquiagem e perfumes, pois podem irritar a pele
  • Umedeça os lábios com hidratante labial, com manteiga de cacau ou óleo mineral
  • Para a secura vaginal é possível utilizar lubrificantes (mas não esqueça de utilizar camisinha, para não correr riscos de infecções!).

Pega da medula – Quando a medula óssea começa a funcionar novamente (geralmente em torno de 2-4 semanas após a infusão) pode-se dizer que houve a pega da medula, ou seja, o transplante obteve sucesso e a medula começou a funcionar perfeitamente. Ainda assim, o monitoramento médico continua sendo essencial, pois mesmo após um ano de procedimento, pode vir a aparecer alguma complicação tardia.

A alta só será possível no momento em que a medula óssea estiver funcionando bem, ou seja, produzindo as células do sangue que protejam o paciente contra infecções e hemorragias.