Qualidade do Sangue – Imagem ilustrativa

Este é um assunto bastante sério e fundamental para a saúde e qualidade de vida do portador de talassemia. Por isso, é muito importante conhecer quais os principais itens de segurança para que não aconteçam problemas no momento da transfusão.

Fenotipagem Sanguínea – Imagem ilustrativa

No sistema Rh existem diversos tipos de antígenos, mas os mais conhecidos são o D, C, c, E, e, Cw, V, Vs. Também existe o sistema Kell, que contém os antígenos K, k, Kpa, Kpb, e o sistema Duffy, com os antígenos Fya, Fyb, Fyx, dentre os outros.

Portadores de doenças que requerem transfusões periódicas podem desenvolver anticorpos contra os antígenos, o que pode ser bastante prejudicial. E é por isso que a fenotipagem eritrocitária – tipagem sanguínea mais completa – deve ser realizada.

Como as pessoas com talassemia recebem inúmeras transfusões durante a vida, se o sangue não for fenotipado pode ser que recebam um concentrado de hemácias positivo para um dos antígenos que ele seja negativo. Então um paciente com fenotipagem Rh CCee que receba um componente Ccee pode desenvolver um anticorpo contra o antígeno c. Isso pode comprometer o rendimento transfusional ou até mesmo causar uma reação grave em pessoas que recebem transfusões contínuas.

Dentre os resultados de uma transfusão de sangue “errada” estão febre, dor lombar, náuseas e vômitos, coceira, queda de pressão e problemas renais. A depender da gravidade da reação, a pessoa pode chegar à morte.

Para que isso não ocorra, é importante que os fenótipos sejam determinados antes mesmo da transfusão, mas no Brasil não é incomum que as pessoas com talassemia cheguem aos serviços de referência após já terem recebido o sangue, o que impossibilita descobrir qual a fenotipagem correta.

Para os casos em que não é possível identificar a fenotipagem eritrocitária correta, são usadas técnicas moleculares para analisar os leucócitos do paciente, células essas que não sofrem interferências das transfusões.

Transfusão de Sangue – Imagem ilustrativa

Até poucos anos atrás pessoas com talassemia ainda ficavam expostas a riscos de contaminação por vírus como o da AIDS e Hepatite durante uma transfusão de sangue.

Mas graças ao avanço da ciência e tecnologia, o Teste Nat (Teste de Ácido Nucleico) chegou para mudar essa realidade: ele consegue encurtar o prazo de detecção dos vírus – a chamada janela imunológica – nas bolsas de sangue doadas, pois identifica o material genético do vírus e não os anticorpos.

O HIV, que até então era constatado apenas 22 dias após a contaminação, com o NAT ele é visto em até 7 dias. Já a Hepatite C, antes constatada após 70 dias do contágio, agora é detectada em 11 dias.

Em 2014, o então Ministro da Saúde Alexandre Padilha assinou portaria que torna obrigatória a realização deste teste em todas as bolsas de sangue coletadas no país – atualmente são mais de 3 milhões.

A hepatite B, que ainda não é constatada pelo teste, está em estudo pelo laboratório BioManguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz, responsável pelo desenvolvimento do Teste Nat.

Em seu centro de tratamento, converse com seu médico sobre o NAT e exija que na bolsa de sangue conste a informação sobre o teste.

Os glóbulos vermelhos, também chamados de hemácias, podem ser transfundidos após a retirada de aproximadamente 99,9% dos leucócitos (ou glóbulos brancos) do sangue, por meio de filtro específico. Existe o filtro para glóbulos vermelhos e o filtro para plaquetas. Assim, é possível prevenir reações transfusionais febris, retardar ou evitar a aloimunização (formação de anticorpos pelo paciente quando entra em contato com sangue não totalmente compatível), prevenir a transmissão de citomegalovírus e evitar imunossupressão (diminuição da imunidade) que pode ocorrer em quem transfunde. Geralmente, é usado em pacientes que fazem reações febris com a transfusão, candidatos a transplante de rim e de medula óssea e hemoglobinopatias (talassemia, anemia falciforme).

Os glóbulos vermelhos podem ser lavados com soro fisiológico estéril, utilizando-se máquinas especialmente destinadas para esse fim. Esse procedimento remove quase todo o plasma, reduz a concentração de leucócitos e remove plaquetas e restos celulares. Está indicado no caso de reação alérgica moderada a grave nas transfusões de concentrado de hemácias.

A transfusão de concentrado de hemácias irradiadas ou de concentrado de plaquetas irradiadas é realizada para prevenir a doença do enxerto versus hospedeiro transfusional, causada pelo não reconhecimento, por parte do organismo do paciente, dos linfócitos do doador. Neste procedimento, há a destruição de todos os linfócitos na bolsa de sangue. Para isso, ela será submetida a chamada irradiação gama. Este procedimento evitará sérios problemas, como febre e até disfunção hepática. Está indicado na transfusão intrauterina, nos recém-nascidos prematuros, nos pacientes que fizeram transplante de medula óssea.